Prêmio para Martinho da Vila em 2027 coroa 60 anos de carreira pavimentada com coerência no samba e na vida

  • 28/07/2026
(Foto: Reprodução)
Martinho da Vila é homenageado da edição de 2027 do Prêmio da Música Brasileira Leo Aversa / Divulgação ♫ ANÁLISE ♬ Se o Prêmio da Música Brasileira seguiu a toada de recentes e merecidos tributos a Cazuza (1958 – 1990) na edição deste ano de 2026, sem fazer diferença na onda de homenagens ao Exagerado, a próxima edição da premiação criada pelo empresário José Maurício Machline em 1987 – a 34ª, prevista para ser realizada em meados de 2027 – acerta e surpreende ao escolher Martinho da Vila como o homenageado do ano que vem. A ocasião não poderia ser mais adequada. Cantor, compositor e ritmista fluminense, um dos maiores bambas do samba, Martinho José Ferreira completará 60 anos de carreira em 2027. Foi em 1967 que o artista entrou em cena, no palco de festival da canção, para defender o partido alto “Menina moça”, de lavra própria. Nascido em 12 de fevereiro de 1938, em Duas Barras (RJ), o cantor debutante tinha então 29 anos. O sucesso massivo viria dois anos depois, em 1969, com o primeiro álbum, intitulado “Martinho da Vila”. Sim, na ocasião, Martinho já era da Vila, em alusão ao envolvimento definidor e definitivo do artista com a escola de samba Unidos de Vila Isabel, agremiação na qual entrou em 1965, tendo ingressado na ala de compositores da escola já em 1966. Na Vila, Martinho logo ocupou lugar de destaque – a ponto de assinar (em parceria com Gemeu) o samba-enredo do desfile da escola em 1967, “Carnaval de ilusões”. O primeiro de muitos. De 1967 para cá, Martinho da Vila pavimentou um caminho seguido com extrema coerência, marcando época e posição na música brasileira. O compositor contribuiu para propagar o partido alto além dos quintais e terreiros cariocas, além de ter modernizado o samba-enredo, tornando o gênero menos caudaloso sem perda da beleza melódica e poética – como comprovam obras-primas como “Quatro séculos de modas e costumes” (1968), “Yayá do Cais Dourado” (1969), “Onde o Brasil aprendeu a liberdade” (1972), “Sonho de um sonho” (1980) e “Pra tudo se acabar na quarta-feira” (1984). Como compositor, Martinho da Vila é dono de obra grandiosa, construída em torno da cadência plural do samba, mas com eventuais incursões por outros gêneros musicais como blues, choro e calango. Tradutora de anseios e conquistas da negritude, essa obra também abrange livros, com o ofício de escritor tendo sido intensificado nos últimos anos. Como cantor e como cidadão, Martinho da Vila sempre se alinhou à democracia, dando voz à luta por justiça social e igualdade racial. Sob prisma social, a obra do bamba o entronizou como um herói da liberdade e da resistência contra toda forma de opressão. Com o manemolente larará do canto e da fala pausada, no estilo devagar devagarinho, Martinho da Vila jamais baixou a cabeça e a voz. Na música e na vida. A música e a ideologia de Martinho da Vila sempre caminharam juntas e misturadas nestes 60 anos de carreira que serão completados em 2027. Ambas credenciam o bamba a receber a homenagem que lhe será prestada pelo Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira em 2027.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/28/premio-para-martinho-da-vila-em-2027-coroa-60-anos-de-carreira-pavimentada-com-coerencia-no-samba-e-na-vida.ghtml


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